04 Dengue: Atendimento ao paciente com suspeita de dengue

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Atendimento de enfermagem ao paciente com suspeita de dengue

Cabe ao profissional de enfermagem coletar e registrar dados da forma mais detalhada possível no prontuário do paciente. Esses dados são necessários para o planejamento e a execução dos serviços de assistência de enfermagem.

4.1 Roteiro de atendimento

4.1.1 Histórico de enfermagem (entrevista e exame físico)

  • Data do início dos sintomas .
  • Verificar pressão arterial, pulso, enchimento capilar, freqüência respiratória, temperatura.
  • Realizar medidas antropométricas (peso, altura, índice de massa corporal (IMC).
  • Pesquisar sinais de alarme.
  • Realizar prova do laço na ausência de manifestações hemorrágicas.
  • Segmento da pele: pesquisar pele fria ou quente, sinais de desidratação, exantema, petéquias, hematomas, sufusões e outros.
  • Segmento cabeça: observar sensibilidade à luz, edemaEdema refere-se a um acúmulo anormal de líquido no espaço intersticial devido ao desequilíbrio entre a pressão hidrostática e osmótica. É constituído de uma solução aquosa de sais e proteínas do plasma e sua composição varia conforme a causa do edema. Quando o líquido se acumula no corpo inteiro diz-se que é um edema generalizado. Podemos dizer que quando um edema se forma é sinal de doença, que pode ser cardíaca, hepática, desnutrição grave, hipotireoídismo, obstrução venosa e ou linfática. O edema pode ser classificado também como: Edema comum, Linfedema e Mixedema. subcutâneo palpebral, hemorragia conjuntival, petéquias de palato, epistaxe e gengivorragia.
  • Segmento torácico: pesquisar sinais de desconforto respiratório, de derrame pleural e pericárdico.
  • Segmento abdominal: pesquisar dor, hepatomegalia A hepatomegalia é uma condição na qual o tamanho do fígado está aumentado. Geralmente indica a existência de uma hepatopatia (doença do fígado). No entanto, muitos indivíduos com hepatopatia apresentam um fígado de tamanho normal ou mesmo menor do que o normal. Normalmente a hepatomegalia é assintomática (não produz sintomas). Entretanto, quando o aumento de volume é acentuado, ele pode causar desconforto abdominal ou uma sensação de plenitude. Quando o aumento de volume do fígado ocorre rapidamente, o fígado pode tornasse sensível à palpação. O médico comumente avalia o tamanho do fígado palpando-o através da parede abdominal durante o exame físico. Ao palpar o fígado, o médico também observa a sua textura. Quando aumentado de volume devido a uma hepatite aguda, a uma infiltração gordurosa, a uma congestão sangüínea ou a uma obstrução inicial das vias biliares, o fígado normalmente é macio. Quando o aumento é causado por uma cirrose, o fígado é firme e irregular. A presença de nódulos bem definidos normalmente sugere um câncer., ascite Em medicina (gastroenterologia), ascite é uma acumulação de fluidos na cavidade do peritônio. É comum devido a cirrose e doenças graves do fígado, e sua presença pode esconder outros problemas médicos. O diagnóstico é usualmente feito com recurso a testes de sangue, uma ultra-sonografia do abdómen e remoção directa do fluido por uma agulha ou paracentese (que também pode ser terapêutica). O tratamento pode ser feito com medicação (diuréticos), paracentesis ou outros tratamentos directionados para a causa., timpanismo, macicez e outros.
  • Segmento neurológico: pesquisar cefaléia, convulsão, sonolência, delírio, insônia, inquietação, irritabilidade e depressão.
  • Sistema músculo-esquelético: pesquisar mialgias, artragias e edemas.
  • Realizar a notificação e investigação do caso.
  • Registrar no prontuário as condutas prestadas de enfermagem.

Referência de normalidade para pressão arterial em crianças*

  • Recém-Nascido até 92 horas: sistólica = 60 a 90mmHg diastólica = 20 a 60mmHg
  • Lactentes < de 1 ano: sistólica = 87 a 105mmHg diastólica = 53 a 66mmHg

Pressão média sistólica (percentil 50) para crianças > de 1 ano = idade em anos x 2 + 90

Para determinar hipotensão arterial, considerar: pressão sistólica limite inferior (percentil 5) para crianças > de 1 ano: idade em anos x 2 + 70. Achados de pressão arterial sistólica abaixo deste percentil ou valor sinaliza hipotensão arterial.

* Pediatric Advanced Life Support, 1997; Murahovschi, J. 2003.

Em crianças, usar manguito apropriado para a idade e peso.

Prova do laço

A prova do laço deverá ser realizada obrigatoriamente em todos os casos suspeitos de dengue durante o exame físico.

  • Desenhar um quadrado de 2,5cm de lado (ou uma área ao redor da falange distal do polegar) no antebraço da pessoa e verificar a pressão arterial (deitada ou sentada).
  • Calcular o valor médio: (PAS+PAD)/2.
  • Insuflar novamente o manguito até o valor médio e manter por cinco minutos em adultos (em crianças, 3 minutos) ou até o aparecimento de petéquias ou equimoses.
  • Contar o número de petéquias no quadrado. A prova será positiva se houver 20 ou mais petéquias em adultos e 10 ou mais em crianças.

A prova do laço é importante para a triagem do paciente suspeito de dengue, pois é a única manifestação hemorrágica de FHD representando a fragilidade capilar.

Sinais de alarme

  • Dor abdominalDor abdominal pode ser um sintoma associado a distúrbios transitórios ou a doenças mais graves. O diagnóstico definitivo da causa da dor pode ser difícil, pois muitas doenças podem apresentar sintomas semelhantes, incluindo doenças funcionais (como a síndrome do intestino irritável), que podem levar a dores crônicas de localização variada e até migratória, sem qualquer anormalidade em exame complementar. intensa e contínua.
  • Vômitos persistentes.
  • Hipotensão postural e/ou lipotímia.
  • Hepatomegalia dolorosa.
  • Hemorragias importantes (hematêmese e/ou melenaMelena se refere a fezes pastosas de cor escura e cheiro fétido, sinal de hemorragia digestiva alta. A cor escura se refere as modificações bioquímicas sofridas pelo sangue na luz intestinal colonizada por bactérias.).
  • Sonolência e/ou irritabilidade.
  • Diminuição da diurese.
  • Diminuição repentina da temperatura corpórea ou hipotermia.
  • Aumento repentino do hematócrito.
  • Queda abrupta de plaquetas.
  • Desconforto respiratório.

4.1.2 Histórico de epidemiologia

  • Perguntar sobre presença de casos semelhantes no local de moradia ou de trabalho.
  • Perguntar sobre história de deslocamento nos últimos 15 dias para área de transmissão de dengue.

4.1.3 Orientações aos pacientes e familiares

  • Todos os pacientes (adultos e crianças) devem retornar imediatamente em caso de aparecimento de sinais de alarme.
  • O desaparecimento da febreA Febre ou pirexia, é a elevação da temperatura do corpo. É uma reação orgânica de múltiplas aplicações contra um mal comum, interpretada pelo meio médico como um simples sintoma, a reação descrita como um aumento na temperatura corporal nos seres humanos para níveis até 37,5 ºC Celsius chama-se estado febril, ao passar dessa temperatura já pode ser caracterizado como Febre e é um mecanismo adaptativo próprio dos seres vivos. A febre é uma reação do corpo contra patógenos; a sensação ruim que sente a pessoa febril faz com que ela poupe energia e descanse, funcionando também através do maior trabalho realizado pelos linfócitos e macrófagos. Apesar da maior parte das febres ser causada por infecções, nem sempre febre é indicador de infecção. (entre o segundo e o sexto dia de doença) marca o início da fase crítica, razão pela qual o paciente deverá retornar para nova avaliação no primeiro dia desse período.
  • Orientar o paciente sobre o uso e importância do “Cartão de Identificação do Paciente com Dengue” (Anexo E).

Para seguimento do paciente, recomenda-se:

A adoção do “Cartão de Identificação do Paciente com Dengue”, que é entregue após a consulta ambulatorial em que constam as seguintes informações: dados de identificação, unidade de atendimento, data de início dos sintomas, medição de PA, prova do laço, hematócrito, plaquetas, sorologia, orientações sobre sinais de  alarme e local de referência para atendimento de casos graves na região.